Futuro do presente

Por Caroline Corso

— Sabe aquele cigarro com as bolinhas de estourar, que ficam na “piteira”?

— No filtro?

— É sim, no filtro. Eu gosto daquela marca Lucky Strike. Assim o gosto não fica tão

ruim na hora de tragar.

— Tá, mas então por que você fuma?

— Ah, é só para dar uma “baixada”, sabe?

— Baixada?

— Claro, é assim: o dia foi tenso, muito estressante e a ansiedade bateu com tudo….

Aí o Lucky dá uma “baixada” nos níveis, entende?

— Hmmmmm. Acho que sim. Mas e o Rivotril? Não dá no mesmo?

— Ah, o Rivotril? Este eu uso nas horas mais punks. Aquele sublingual. Desmancha

fácil. São só 0,25 miligramas.

— E este aqui é o de dormir, né? Lioram. Nunca tinha visto este nome.

— Sim, ele é milagroso! Só meio comprimido e… Pá! Capoto num sono profundo.

— Tá, e aquele outro aqui? É Bromo, ops, Bromidrato de Citalopran?

— Sim, para a ansiedade é espetacular. Ele é tranquilo, sem tantos efeitos colaterais.

E tu? O que tá tomando agora?

— Chá de camomila. Fico tranquilão. Também tem o de melissa, que surte o mesmo

efeito, e um chimarrão ou um cafezinho para doses de energia também pegam bem.

— Nossa! Nunca tomei. Parecem bem orgânicos. São bons?

— Fizeram efeito. São as coisas que a terra dá. Comprei em uma start up chamada

“Feira”, ali no Parque da Redenção. Dizem que é um negócio vintage, coisa dos

antigos.

— Bá, inovador!